Sala de imprensa

Aos visitantes do site, um esclarecimento inicial se faz necessário. Os filmes aqui exibidos foram produzidos originalmente em película 35mm no ano 1984. Infelizmente, e à minha revelia, as cópias em película e os negativos dos filmes aparentemente se perderam. Então, o que você assistiu ou vai assistir vem de  uma cópia VHS SD dos filmes, a única que tinha, que, por sua vez, foi originada de um master telecinado para vídeo U-MATIC. Os filmes receberam um tratamento de conversão para vídeo digital Full HD, desentralaçamento e telecine reverso, além de uma correção de cor básica. O processo foi quase um restauro, um pequeno milagre operado pelo amigo e colorista Paulo M. de Andrade. (João Velho)

A Última Canção do Beco

Lapa, 1942: a gênese de um poema de Manuel Bandeira na véspera de sua mudança de um prédio que será demolido.

João Velho fala sobre “A Última Canção do Beco”

As surpresas do destino e escolha do poema

Em 1983, com 22 anos, havia acabado de me formar em cinema pela UFF, e, precisando trabalhar, tornei-me assistente administrativo no braço de distribuição de cinema da empresa Artenova Filmes, de Alvaro Pacheco, meu tio por parte de mãe.

O escritório ficava em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O trabalho tinha pouco a oferecer que servisse de estímulo para um jovem recém-formado em cinema, já com passagem pela TV Globo e pelo movimento de video independente que estava nascendo naquele período.

Mas o destino guardava os seus mistérios. Nessa mesma época, a Artenova desenvolveu um projeto chamado “A Poesia no Cinema”, que previa uma série de cinco curta-metragens criados a partir de adaptações de poemas famosos da literatura brasileira.

35mm

João Velho aos 23 anos. (foto: Luciano M. de Moura)

Inesperadamente, Alvaro Pacheco me ofereceu a participação no projeto, me desafiando a escolher um poema dentre um conjunto de obras pré-selecionadas por ele, e fazer um roteiro adaptado a partir do poema escolhido. Se o roteiro ficasse bom, eu poderia dirigir aquele que seria o meu primeiro filme.

Escolhi um poema muito especial, “A Última Canção do Beco”, de Manuel Bandeira, que fala da emoção do poeta um dia antes de deixar sua casa na Lapa, no Rio de Janeiro dos anos 1950, prestes a ser demolida para dar lugar a um outro prédio.

De fato, em sua auto-biografia, Bandeira relata exatamente como havia ocorrido a gênese do poema, e isso forneceu a base para a linha principal da narrativa. Numa outra linha, imaginei uma nova personagem, uma prostituta que vive uma espécie revelação espiritual, jogando com esse encontro do sagrado e do profano próprio do bairro da Lapa.

Alvaro gostou do roteiro, e comecei a produção no início de 1984. Havia algumas pré-condições. Por exemplo, o produtor executivo já estava definido, e a produção teria que ser feita com um orçamento bastante econômico.

A equipe e o elenco

Mas o restante da equipe foi todo escolhido por mim. O primeiro a chegar foi Luciano Marcondes de Moura, meu amigo pessoal à época e que até aquele momento não tinha tido nenhuma experiência em cinema ou TV. Luciano, que assumiu a direção de produção e a assistência de direção, trabalhava com teatro naquele tempo, e isso foi determinante para a definição de boa parte do elenco e até da equipe.

Beco_02Preciso fazer uma ressalva em relação à colaboração de Luciano. Ele embarcou no projeto com toda a energia, e o filme deve muito a ele. Me acompanhou em praticamente todos os momentos da produção e foi decisivo para o resultado que a equipe alcançou. Creio que sua vocação se revelou fortemente nesse filme, ajudando-o a definir de uma vez por todas seu caminho profissional para toda a vida rumo a uma carreira de sucesso na publicidade e no cinema.

Beco_01Outra escolha fundamental foi a definição do ator que representaria o papel de Manuel Bandeira, o excepcional Rubem Correia. Com uma certa semelhança na idade e na aparência, e com todo o seu talento e experiência em teatro, Rubem aceitou o convite com um entusiasmo de principiante e sua brilhante atuação resultou em um retrato ao mesmo tempo realista e sensível.

Rubem Correia foi, possivelmente, a pessoa mais gentil que conheci. Mesmo tendo apenas 22 anos, me tratou como um artista pronto, com respeito e confiança. Nunca vou esquecer o seu jeito macio e interessado de conversar, e de como foi trabalhar com ele. Tudo que precisei fazer foi estimula-lo suavemente e modular a natural teatralidade da sua interpretação. Certamente, foi um dos grandes atores brasileiros do período em que atuou e foi um privilégio para mim ter podido conviver com ele.
Beco_07Completando os papéis principais, tive a felicidade de contar com a participação de Monica Alvarenga, começando sua carreira. Com a ajuda de uma caracterização eficiente da maquiagem e do figurino de Luciana Makowiecky, sua atuação, assim como todo o filme, teve como referencia um pouco do neo-realismo italiano e do cinema novo brasileiro.

Um detalhe curioso desse filme: os letreiros foram feitos em letraset por um casal de amigos bem íntimos na época, Tice e Claudio Torres, que depois viria a ser meu sócio juntamente com Luciano e Sergio Bloch numa produtora de vídeo independente chamada Krypton Produções, e mais tarde, também um dos fundadores da Conspiração Filmes.

Cenografia e locações

A concepção da mise-en-scéne, cenografia e até a decupagem artística foi bastante inspirada numa pequena obra-prima cinematográfica, o curta-metragem “Poeta do Castelo” (1959), de Joaquim Pedro de Andrade, que mostrava Manuel Bandeira em pessoa no seu dia-a-dia, já morando no centro do Rio de Janeiro.

Beco_09Eu e Luciano selecionamos um quarto do Hotel Santa Teresa, no bairro de Santa Teresa, para funcionar como interior da casa de Manuel Bandeira. Esse hotel era conhecido como “hotel dos descasados”. Curiosamente, Bandeira havia morado no bairro entre 1920 e 1933, antes de se mudar para a Lapa. Cenografamos o quarto, nós mesmos carregamos muitas coisas no fusca do Luciano, e tudo ficou perfeito. Hoje vendo o filme, me surpreendo com a qualidade do resultado.

O bairro e o bondinho de Santa Teresa serviram de locação para algumas cenas. Fizemos algumas imagens na Lapa, especialmente a cena no interior da Igreja Nossa Senhora da Lapa de Desterro, a primeira construção do bairro datada de 1751, e filmamos outras cenas numa procissão do Senhor Morto nos bairros da Saúde e Gamboa, sempre no Rio de Janeiro.

Fotografia, música e montagem

Beco_06A fotografia do filme foi feita por Gilberto Otero, quase toda em negativo 35mm preto-e-branco, com uma cena documental em negativo 35mm colorido. Nossa inspiração, como já disse, era o cinema novo e o neo-realismo. Gilberto deu conta do recado maravilhosamente bem, sobressaindo nas cenas do quarto de Bandeira e na procissão. Fiquei muito satisfeito com a forma como ele soube incorporar o registro daquele evento real e construir comigo os planos da procissão.

O filme não previa diálogos, apenas a narração do poema, ruídos e musica, toda construída com arranjos para sopros de trechos de composições de Villa-lobos, criados pelo então jovem músico Humberto Araújo, que já mostrava todo o seu talento nesse campo.

Beco_03 Humberto chamou seu querido amigo Dazinho Gonçalves para dividir os instrumentos nos duos de sopro que deram origem à trilha sonora. Tudo foi gravado em um pequeno estúdio de Tim Rescala, também amigo de Humberto, num apartamento antigo na Glória.

A montagem ficou por conta do saudoso Emiliano Ribeiro, e foi feita toda numa moviola 35mm da empresa de Roberto Battaglin, o pai do ator de mesmo nome. O trabalho correu fluente e sem qualquer tipo de dificuldade. O material captado se encaixou perfeitamente, de acordo com o roteiro, sem necessidade de nenhuma adaptação. Até as cenas da procissão encaixaram facilmente.

Quando a montagem terminou e o filme surgiu, a pequena equipe de pós-produção formada por mim, Luciano, Emiliano e Humberto percebeu que a magia do cinema havia se imposto em um trabalho denso, poético e sensível. O filme estava pronto para cair no mundo.

A carreira do filme

A carreira de “A Última Canção do Beco” foi pródiga, não posso reclamar, passando pelos principais festivais nacionais entre 1984 e 1985, tais como Brasilia, Gramado, Festival Rio-Cine, e pela primeira edição do Festival de Fortaleza, onde consquistou três troféus Iracema, de melhor direção, melhor trilha-sonora e melhor filme pelo júri popular.
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Nesses anos, a competição nos festivais foi acirrada e de altíssimo nível, com uma safra de curtas excepcionalmente boa, incluindo as estréias na direção de gente como Jorge Furtado (O dia em que Dorival encarou a guarda), Mauricio Farias e Luiz Fernando Carvalho (A espera), e o magistral filme “Porta de Fogo”, de Edgard Navarro.

“A Última Canção do Beco” também circulou bastante pelos cinemas, por conta da Lei do Curta, que tornava obrigatória a exibição de curta-metragens antes dos filmes estrangeiros.O filme não chegou a ser enviado a festivais internacionais, uma prática pouco comum na época para curtas brasileiros.

Ficha técnica:

Elenco:

Rubens Correa (Manuel Bandeira)

Monica Alvarenga

Silvia Cruz

Fernanda Ulhôa

Xando Graça

Elcio Campos

Monica Campos

Equipe:

Direção e roteiro – João Velho (que na época assinava como João Carlos Velho)

Produção – Alvaro Pacheco

Direção de fotografia – Gilberto Otero

Direção musical – Humberto Araújo (composições de Heitor Villa-lobos)

Direção de produção e assistência de direção – Luciano Marcondes de Moura

Produção executiva – Nelson Moura

Montagem – Emiliano Ribeiro

Cenografia – João Velho e Luciano Marcondes de Moura

Figurino – Luciana Makowiecky

Tecnico de som – Mauro Duque Estrada

Assist. de camera – Leandro Sergio

Assist. de produção – Bruno Fernandes

Eletricista – Iran Brasileiro

Letreiros – Tice e Claudio Torres

Músicos – Humberto Araújo e Dazinho Gonçalves

 

A Balada das Dez Bailarinas do Casino

Adaptação de um poema de Cecília Meireles para a linguagem da dança contemporânea.

João Velho fala sobre “A Balada das Dez Bailarinas do Casino”

Mais uma surpresa no caminho

Depois de completar a montagem de “A Ultima Canção do Beco, outra surpresa apareceu no meu caminho. A Artenova resolveu me repassar a adaptação de mais um poema para um novo curta, mas o poema já estava escolhido: “A Balada das Dez Bailarinas do Casino”, de Cecília Meireles.

Bailarinas_07Claro que eu não titubeei em aceitar, até porque o poema era sensacional. O poema me remeteu imediatamente ao universo da dança contemporânea do Rio de Janeiro para uma releitura moderna do tema e das imagens da poesia de Cecilia.

A montagem da equipe

O filme foi se construindo com uma forma meio experimental, com um clima mais teatral, totalmente apoiada na colaboração de Rainer Vianna, filho único de Angel e Klauss Vianna, dois grandes mestre da dança contemporânea no Brasil. Rainer era excelente bailarino, mas nessa época tinha criando um centro de dança e estava mais até coreografando, sempre acompanhado de sua esposa, também bailarina, Neide Neves.

Chamei Humberto Araújo para fazer uma trilha apenas com músicas originais que serviriam para a coreografia de Rainer. Queríamos algo que tivesse um certo tom jazzístico, mas bastante motivado pelas imagens do poema, e que servisse bem à dança de Rainer. Humberto deu conta do recado com bravura e talento, mostrando toda a sua veia de arranjador diferenciado mas também de compositor.

Eu pensei o filme intercalando imagens em close, mais fotográficas, apenas com a narração do poema, com imagens das coreografias acompanhadas da música do Humberto. No final, musica, dança e poesia se juntariam, num último número.

Bailarinas_04Para o visual fotográfico, consegui chamar ninguém menos do que Walter Carvalho, já um diretor de fotografia de sucesso, mas ainda sem ter o reconhecimento que merecia e que veio a ter logo adiante.

Fui colega de Walter, entre 1981 e 1982, num curso de formação da TV Globo para o que eles chamavam de profissionais de cinematografia eletrônica. Ele era a grande estrela e o mais experiente do grupo, e eu era o caçula, com 21 anos. Ficamos amigos e trabalhamos juntos. Depois vim a me tornar seu assistente para os trabalhos que fazia em video, e pude conviver de perto com ele por uns dois anos.

Quando surgiu a oportunidade do poema de Cecilia, calhou de ele poder e tudo deu certo. Ele adorou a proposta, e montamos uma equipe de elétrica e maquinaria minimalista mas maravilhosa, com destaque para a dupla Edinho e Carlão, tudo de bom, pessoal competente, cabeça e alto astral.

Na decupagem do balé para a câmera, creio que com a colaboração de Luciano Marcondes de Moura, que se manteve comigo como assistente de direção e na direção de produção, planejei o uso de carrinho e grua em algumas cenas, uma vez que o teatro funcionou como um estúdio, única locação. Montar e desmontar carrinho ali era coisa fácil pro Carlão. Com o Walter Carvalho garantido, sabia que podia explorar todo o seu talento como iluminador e fotografo, atém de melhor operador de câmera que já vi em ação.

Bailarinas_05Algumas outras pessoas da equipe do “Beco”  também continuaram comigo no “Bailarinas”. O próprio Rubens Correia foi convidado e aceitou fazer a narração do poema, à qual imprimiu a mesma seriedade, sensibilidade e leveza. O montador Emiliano Ribeiro também continuou na equipe. Para a direção de arte, cenografia e figurinos chamei um conhecido do Luciano, Vicente Maiolino.

Vicente foi outro colaborador extremamente sensível, e com pouco recurso, criou ambiente para a dança das bailarinas de Rainer e para a fotografia de Walter. Vindo de teatro, Vicente se sentiu em casa para trabalhar em nossa locação, o Teatro Cacilda Becker, no Catete. Sempre muito alegre e pra cima, guardo de Vicente uma lembrança doce como ele próprio. Fez até mesmo os letreiros, em letraset contra o fundo preto, no melhor estilo Woody Allen. Infelizmente, em 2010,ele morreu tragicamente em um assalto.

A propósito, em outra justa ressalva, se no filme A Última Canção do Beco Luciano havia sido importante, no filme das Bailarinas ele o foi muito mais, porque acompanhou a própria gestação da idéia e porque encenamos em um teatro, que era uma área com a qual ele já tinha intimidade e conhecimento. A indicação do Vicente veio daí.

A parceria com Rainer Vianna

Rainer montou seu elenco de dez bailarinas com alunas de seus cursos e oficinas, junto com um único bailarino para fazer referência à citação dos “homens gordos” do poema. Me lembro da gente ir fazer um laboratório de pesquisa e observação numa noite memorável numa boate da Rua Prado Júnior, em Copacabana. Achamos que as garotas de programa seriam uma boa referencia para o filme. Ficamos meio encantados pelo ambiente, e nos divertimos bastante enquanto trabalhávamos, assim como as profissionais da boate.Bailarinas_03

Obsessivo no seu trabalho coreográfico, Rainer sabia aproveitar o improviso e a criação das meninas que trabalhavam com ele, isso era parte do seu processo. Elas o amavam e o admiravam incrivelmente. Eu e Luciano gostávamos quando tínhamos que assistir os ensaio do grupo dele, não apenas porque éramos dois jovens no meio de dez moças lindas, mas também porque parecia que, estar com eles era como sair do mundo real para entrar num mundo diferente, meio de sonho, com pessoas sensíveis ao extremo, totalmente dedicadas à consciência e à expressão do corpo. Pessoas muito especiais, sem dúvida. Um detalhe, Monica Alvarenga, protagonista do “Beco”, também fazia parte do grupo de Rainer e igualmente participou do elenco do “Bailarinas”.

Bailarinas_06Esse trabalho é muito do Rainer, percebo hoje. Talvez seja um dos poucos documentos de sua obra coreográfica, certamente aquele em que ele dedicou mais energia na questão de coreografar para a câmera, se é que houve outros. Assim como o trabalho também é muito do Humberto, super inspirado e talentoso. Ele era um garoto igual a mim e vários outros da equipe, mas criou e produziu a trilha com extrema competência.

Fica claro, vendo o filme depois de tanto tempo, que o que fiz, com a ajuda do olhar e das imagens do Walter, foi pensar a proposta e depois integrar os trabalhos do Rainer e do Humberto. O trabalho do Vicente também foi extremamente importante, teve implicações visuais inegáveis no resultado. Para as condições que tínhamos na época, inclusive de orçamento, Vicente encaixou muito bem no processo de criação do filme. Acostumado a trabalhar com pouco dinheiro, conseguiu fazer bastante.

Enfim, acho que foi, fundamentalmente, mais até do que “A Última Canção do Beco”, um filme de equipe.

As filmagens foram feitas em três ou quatro dias, não mais. Todos os dias encobríamos as arquibancadas de madeira do Teatro Cacilda Becker com pano preto, meio do tipo arena, e montávamos nosso cenário e a luz. Depois tínhamos que desmontar tudo, porque tinha peça de noite, se não me engano.

Foi incrível o convivio com aquela equipe. Era muita gente para um curta-metragem. Só no elenco havia 11 pessoas. Um outro querido amigo de colégio, Sergio Bloch, foi produtor de platô. Sergio, que chegou a ter experiências anteriores como ator de teatro e como câmera na Machete, foi outro que construiu uma carreira bem sucedida no cinema e no vídeo independente. O clima entre todos foi o melhor possível. Filmar o “Bailarinas”, como chamávamos entre nós, foi um prazer enorme. No final das filmagens, fizemos uma refeição e tomamos um porre coletivo.

A montagem e a carreira do filme

Durante a pós-produção, Emiliano Ribeiro, que também se manteve na equipe, achou que o material não se sustentava na forma que havia sido imaginada e me propôs ignorar todo o planejamento e fazer um filme de montagem. Ele achava que o roteiro não engrenava. Mas eu banquei o filme como foi pensado, até em respeito ao trabalho dos outros colaboradores, sobretudo o do Rainer. Talvez, com os recursos de edição atuais, pudesse tentar algumas coisas diferentes, mas não me arrependo em nada de ter me mantido firme.

Bailarinas_01Hoje o filme me parece ainda mais atual e moderno. A proposta tinha uma identidade, e ela está inteira na tela. Trata-se de um filme de dança contemporânea, coisa que, na época, não era tão valorizado. Certamente eu gosto do filme muito mais hoje do que quando o terminei. Talvez ele não tenha sido fruto de uma relação tão intensa com o tema e o poema como o “Beco”, mas ele foi um trabalho de experimentação bem legal, cruzando linguagens, algo que sempre me interessou.

Lamentavelmente, “As Dez Bailarinas do Casino” acabou não entrando em nenhum festival, exibido apenas nos cinemas pela então Lei do Curta. Isso aconteceu porque todos os festivais para os quais os filmes foram enviados preferiram exibir “A Última Canção do Beco”. Seria mesmo difícil colocar dois filmes de um mesmo diretor numa mesma edição de um festival de cinema. Para além da minha vontade, seu irmão mais velho o manteve em sua sombra. Mas agora eles têm novamente a chance de brilharem juntos.

Sendo assim, posso dizer que, particularmente nesse caso das “Bailarinas”, o filme está praticamente inédito. A chegada dele na web abre espaço para essa ausência de divulgação um tanto injusta ser reparada.

Ficha técnica:

Elenco:

Neide Neves, Kátia Amaral, Marina Sá, Claudia Braune, Monica Alvarenga, Silvia Cruz, Ivone Manzalli, Monica Rogozenski, Ivana Mena Barreto, Marcia Torres e Milton Quadros

Narração – Rubens Correa

Equipe:

Direção e roteiro – João Velho (que na época assinava como João Carlos Velho)

Produção – Alvaro Pacheco

Direção de fotografia – Walter Carvalho

Música – Humberto Araújo

Direção de produção e assistência de direção – Luciano Marcondes de Moura

Produção de Platô – Sergio Bloch

Continuidade – Rogério Resende

Produção executiva – Nelson Moura

Montagem – Emiliano Ribeiro

Cenografia, Figurino e letreiros – Vicente Maiolino

Maquiagem – Sonia Cruz

Tecnico de som – Toninho Muricy

Vídeo de apoio – Nando

Assist. de camera – César Moraes

Assist. de produção – Bruno Fernandes

Eletricista – Edinho e Danilson

Ajudande de eletricista – Fabiano de Jesus

Maquinista – Carlão

Músicos – Humberto Araújo e João Bosco

Tecnicos de Gravação – Luiz S. Cruz e Rodolfo Caesar

 

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Estes filmes não podem ser distribuídos no todo ou em parte sem prévia autorização. Qualquer exibição fora do âmbito doméstico ou acadêmico, especialmente com fins comerciais, também requer prévia autorização.

Dedico esse site a Alvaro Pacheco, meu tio, a quem devo minha estréia no cinema.